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Facções entram em centro de internação para jovens infratores em Goiânia

Reportagem teve acesso a mensagens interceptadas entre adolescentes que revelam a presença de PCC e CV no Case

Thalys Alcântara

Uma das alas onde ficam os jovens infratores apreendidos no Case do Conjunto Vera Cruz (Foto: Case Goiânia)

As facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) estão presentes no sistema socioeducativo de Goiás, onde são internados jovens e adolescentes infratores. Inscrições em paredes e bilhetes interceptados no Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) de Goiânia, no Conjunto Vera Cruz, revelam ligação de internos com grupos criminosos paulista e carioca. O governo estadual reconhece que “há indícios” dessa frente do crime organizado e afirma que estão sendo tomadas medidas para monitoramento e controle.

A situação no Case está tão grave que já há duas partes da unidade destinadas a internos faccionados, que não podem se misturar com grupos rivais. No módulo E ficam jovens e adolescentes ligados ao CV e no módulo C, integrantes do PCC. Ambos os módulos estão na área 2 do Case, que foi cenário do assassinato de dois internos nos últimos dias 7 e 11 por companheiros de alojamento.

Inscrições nas paredes dessas alas remetem ao mundo do crime e às facções. “Tudo 2”, “TD2”, “CV”, “CVRL” e “Trem bala” são alguns dos termos encontrados nas paredes do Case, que remetem à facção carioca. Já na parte do grupo rival, há nas paredes “PCC”, “TD3” e “1533”, referências ao Primeiro Comando da Capital.

Ainda nas paredes, são comuns frases que fazem referência ao mundo do crime e a rivalidade. “As armas cantam e no fim sua mãe que chora”, diz uma frase do lado da sigla PCC. “Dizem que não rezo pelos meus amigos. Ao contrário, rezo pra que a alma deles queimem no inferno”, alerta outra inscrição na tinta da parede.

A reportagem também teve acesso a oito bilhetes escritos em papel branco comum, chamados pela gíria de “catatau”, que são uma forma dos internos se comunicar entre si, já que eles passam a maior parte do dia trancados em seus alojamentos, que abrigam dois adolescentes cada. Quatro dos comunicados são assinados com os termos “CV”, “TD2” e “E o trem”. Além disso, dois deles contêm desenhos feitos de caneta de uma locomotiva. O “trem bala” é um símbolo da facção carioca.

“Catatau”

O conteúdo das mensagens contém gírias e códigos, que nem sempre deixam claro o seu significado. A reportagem optou por mudar os nomes e apelidos dos jovens e adolescentes citados para não identificá-los.

Em um dos bilhetes, um interno pede uma bermuda de tactel para o dia de visita e avisa que “os cara (sic)” não têm o “solojone (celofane)” da cor que havia sido pedida, manda um “SLV (salve)” para uma terceira pessoa e pede para ser verificado com uma quarta pessoa se pode fazer alguma coisa do lado de fora do Case, quando não estiver mais internado. “Fala pro ‘João’ se pode fazer o corre do bang lá que era eu pegar lá
na rua”, diz trecho do bilhete. Tanto “corre”, como “bang”, são expressões que podem significar várias coisas. Já o celofane seria uma referência a maconha.
Em uma outra mensagem, o interno chama uma terceira pessoa de mentirosa e diz que ela está “pagando de doido”. Em seguida, avisa que se for internado por mais tempo, vai fazer alguma atividade com uma quarta pessoa. “Te fala se eu pega mais 6 mes e a vou fazer meu corre mais o ‘Lucas’”.
Também há mensagens do cotidiano dos adolescentes, que pedem um para o outro materiais para fazer peças de artesanato, que é uma das poucas atividades oferecidas na unidade. Em uma delas, o interno diz que precisa de “30 braçadas” de linha para fazer filtro de sonho. O outro responde que só tem cinco e assina seu nome ao lado de símbolos da facção carioca.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Desenvolvimento Social (Seds), que é responsável pelo sistema socioeducativo em Goiás, informou que está tomando providências sobre a presença das facções no Case. “Há indícios os quais estão sendo tratados com a seriedade que o caso requer, tomando medidas necessárias para o monitoramento e controle”, diz trecho de nota da pasta.

O órgão cita como exemplo de medida uma revista que foi feita na unidade na última quinta-feira (13) em que foram encontrados vários chuchos, que são armas afiadas artesanais.

Relatório do Mecanismo Nacional da Prevenção e Combate à Tortura

Fonte: Cidades/Jornal O Popular

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