CMDCA - Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente de Goiânia

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Cmeis negligenciam apoio à amamentação e alimentação saudável

Mães relatam que Educação Infantil negligencia aleitamento materno e cardápio não prioriza a saúde

 

Isabela Oliveira afirma que diretora a orientou a encerrar amamentação porque assim o filho Teodoro “daria mais trabalho”

Crianças que são amamentadas até os 2 anos de idade têm menor probabilidade de desenvolver obesidade, diabetes e hipertensão. Esta criança dificilmente terá anemia ao longo da vida porque as concentrações de ferro no leite materno são bem maiores do que em qualquer outro leite, orienta a Organização Mundial da Saúde (OMS). A instituição ainda reforça que é preciso uma alimentação com redução de açúcares, biscoitos e rica em frutas e vegetais. Entretanto, as mães afirmam que em Goiás sobram irregularidades e falta empatia para as quem de deixar os filhos nas unidades municipais de educação infantil.
Isabela Rodrigues de Oliveira, de 25 anos, é mãe de Teodoro, de apenas 11 meses e saiu do emprego quando a licença maternidade terminou. Na necessidade de voltar ao mercado de trabalho neste ano, ela buscou uma vaga no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) de Trindade, região metropolitana de Goiânia. O bebê amamentava em livre demanda e se alimentava bem, com horários regulares. As aulas começaram no Cmei Abadia José dos Santos e logo no primeiro dia ela disse que foi chamada para buscar Teodoro e iniciar o desmame. A justicativa dada pela unidade de educação, segundo a mãe, é que “um bebê que mama daria mais trabalho, não se alimentaria bem e demandaria mais colo”.
“A diretora me disse que eu teria de desmamar o Teodoro e que dava essa orientação a todas as mães que amamentavam. Na matrícula eu deixei claro que ele não tomava fórmula (substituto articial do leite materno) e que não tinha intenção de tirar o peito. Logo no primeiro dia me ligaram antes do almoço para buscá-lo e disseram que uma criança que mama na mãe é mais difícil de cuidar. Pediram para fazer o desmame e levar ele quando não mamasse mais em mim. Faltou muita empatia”, completa Isabela.
A diretoria da unidade foi procurada mas disse que apenas a Secretaria Municipal de Educação (SME) poderia se pronunciar. A SME de Trindade foi procurada, mas não respondeu até o fechamento da matéria.
Apenas em Goiânia são 25 mil crianças matriculadas nos Cmeis, sendo que 18 mil (72%) têm entre até 3 anos. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação (SME) da capital, é seguida a orientação do Ministério da Saúde (MS) e as famílias são estimuladas a manter o aleitamento materno mesmo após o ingresso na creche. “As crianças, então, podem receber leite materno, extraído em casa ou na creche, durante o período que permanecerem na unidade, e/ou as mães podem amamentar as crianças na própria creche. O material do MS indica as formas corretas de extração do leite materno e armazenamento”, afirma em nota, a secretaria. No dia a dia, entretanto, as mães dizem que a prática não segue o discurso.
Mãe de três lhos, a empresária Juliana Silva Rodrigues, de 33 anos, matriculou o mais novo, de 1 ano, no Cmei Sagrada Família, em Goiânia. Raphael ingere apenas o leite materno. “Na matrícula perguntei se poderia levar o leite e questionei o que era oferecido para as crianças dessa idade. Informaram-me que todos tomavam leite de vaca com achocolatado. Se ele utilizasse fórmula eu precisaria levar, mas se tivesse alguma restrição como alergia ou tomasse leite materno, seria necessário um laudo médico. Fui até nossa pediatra do Sistema Único de Saúde (SUS), consegui um laudo e ela também montou uma cartilha com as orientações. Levei ao Cmei junto com o potinho e descobri que as funcionárias da unidade não tinham informações sucientes sobre como descongelar, armazenar e oferecer”, explica Juliana.
Juliana conta que sempre teve uma produção grande de leite e se tornou doadora para o banco do Hospital Materno Infantil (HMI) logo que a primeira lha nasceu, a Sophia, que completa 10 anos neste mês. Depois veio o Gabriel e agora, diariamente consegue retirar mais de 600 ml de leite sendo que 200 ml são enviados ao Cmei para o pequeno Raphael. O restante é armazenado e todas as quintas-feiras, uma equipe do HMI passa para recolher. “Na sala do meu filho tem 15 crianças da mesma idade. Uma das meninas recebe diariamente a visita da mãe para amamentar, mas no restante do dia recebe o mesmo leite dos demais. É preciso orientação porque o leite materno precisa ser descongelado em banho maria, não pode ir ao microondas e também não pode ser sacudido, apenas misturado”, pontua.

Apoio

No Cmei Santa Mônica, localizado no Parque Atheneu, em Goiânia, quatro mães vão até o local diariamente para amamentar os bebês: duas pela manhã e duas à tarde. Coordenadora da unidade há 7 anos, Heloísa Barbosa Santos explica que a prática foi implantada desde que o local começou a atender o agrupamento de bebês e que é muito importante esse apoio, tanto para as crianças, quanto para as mães. “Pegamos bebês a partir de 4 meses e a adaptação desta forma é diferente. Também deixamos que as mães tragam o leite materno, mas elas preferem vir. É mais que um leite, é um momento de amor com a criança. O que percebemos é que as crianças ficam mais calmas e tudo corre de forma mais tranquila. Até mesmo a alimentação eles aceitam melhor quando recebem a visita”, se emociona.

Juliana Rodrigues com frascos de leite materno que doa. Parte do alimento não é aproveitada pelo filho Raphael.

Mãe diz que comida industrializada ocupa grande parte das opções

 

Amanda Martins Dias, de mãe da Angeline, de 2 anos e 2 meses. Desde 2018 ela tentava uma vaga no Centro Municipal de Educação Infantil, mas estava na 62ª posição e em janeiro finalmente conseguiu. A pequena foi matriculada no Cmei Fabiano de Cristo, no Setor Santos Dumont, em Goiânia, e o dinheiro que a mãe utilizava para pagar uma creche particular foi remanejado para abrir o próprio negócio. “Eu gosto muito da abordagem pedagógica e os funcionários são excelentes. Sinto segurança e acredito que eles fazem o possível para ensinar com qualidade com o pouco material e a pouca verba que recebem”.
Quando o assunto é alimentação, entretanto, Amanda mostra a insatisfação e afirma que nesta unidade não há frutas disponíveis. “O cardápio é bem pobre em questão de alimentação saudável mesmo. Não há frutas, oferecem leite de vaca com achocolatado, refrescos, bolachas industriais e entre estes alimentos, não há uma fruta disponível por falta de verba. Quando questionei em levar lanche para ela, me orientaram que só pode ser levado se for por doação e teria que ser feito para o Cmei inteiro, o que entendo por ser injusto uma comer bem e as outras crianças não”, pondera. A mãe de Angeline conta ainda que no ato da matrícula descobriu que nas comemorações poderiam ser servidos refrigerantes e doces. Ela conta que questionou sobre a possibilidade de não oferecerem, mas disseram que somente se houvesse um laudo médico com a armação de alergia. “A sorte é que ela continua comendo saudável antes e após o Cmei”, finaliza. No Cmei Atheneu Dom Bosco, localizado no Parque Atheneu, também na capital, além das porções diárias de frutas, foi instituído um dia da fruta, atualmente às quintas-feiras. Neste dia, além de comer a porção, é realizada uma contação de histórias e uma rodinha de conversa para falar dos benefícios de cada alimento.
De acordo com a coordenação do local, é escolhida uma fruta especíca e as crianças levam de casa. A gestão do espaço afirma ainda que muitas crianças que antes não comiam as frutas, passaram a experimentar. Tudo isso porque além da parte lúdica, viram os amigos comendo.

 

Crianças têm R$ 2 por dia para 5 refeições

Composto por cinco refeições diárias, o cardápio dos Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis) de Goiânia que conta com o primeiro lanche, que deve ser servido as 7h30, fruta, almoço, lanche e jantar. Pela manhã, quase sempre com leite e achocolatado e à tarde, refrescos, bolachas e pães estão na lista dos mais consumidos. O valor repassado para todas estas refeições é de R$ 2 por criança sendo R$ 1 oriundo do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e a outra metade é complementada pela Prefeitura. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, o valor é suciente para manter a alimentação.
Para a nutricionista materno-infantil, Rayanne Maciel, o excesso de açúcar (biscoito, caramelo e achocolatado no leite, refresco que geralmente é de saquinho e os bolos) pode acarretar em risco de cáries, diabetes, hipertensão, obesidade e até triglicérides alto que já é muito comum em crianças e está relacionado ao elevado consumo de carboidratos simples. Ela arma ainda que pode aumentar a seletividade alimentar. Isso porque dicilmente estas crianças irão aceitar alimentos amargos ou mais azedos.
Apesar de constar nos cardápios, a SME de Goiânia armou que o leite de vaca com achocolatado não é utilizado nas unidades. Diz ainda que as frutas são oferecidas duas vezes por dia, com opções variadas e que o cardápio é elaborado por nutricionista da Gerência do Programa de Alimentação Escolar (Gerpae) e segue as determinações do FNDE e do Ministério da Saúde.
Rayanne diz que, no geral, o cardápio do Cmei é bom, pensando que muitas crianças não consomem nem isso em casa e outras dependem desta alimentação. Apesar disso, afirma que algumas alternativas de mesmo valor nanceiro poderiam ser colocadas à disposição, garantindo maior valor nutricional. “O leite poderia ser batido com uma fruta, o que tornaria ele mais nutritivo. As frutas poderiam ser oferecidas também nos lanches da tarde e daria para reduzir o consumo de bolachas e pães, optando assim por farofinhas no lanche, às vezes um pão caseiro que poderia ser feito no próprio local. Também é possível incentivar o consumo de chás (quentes e gelados) que são bebidas baratas e algumas ervas podem ser cultivadas no Cmei” explica Rayanne.

Suficiente

Especialista em alimentação infantil, a nutricionista afirma que as necessidades de uma criança menor de um ano são especiais e só o leite materno é capaz de supri-las em 100%. “Hoje temos disponíveis vários leites com a composição similar ao leite materno e podem ser oferecidos caso a mãe não consiga amamentar”, pontua. Ela completa dizendo que leite e derivados só devem ser inseridos na alimentação após o primeiro ano de vida, pois sua composição é muito diferente do leite produzido pela mulher e pode causar diarreia, entre outros transtornos. “O consumo de açúcar, por sua vez, só é recomendado após os dois anos de idade. No período anterior a isso é importante que a criança conheça o sabor real dos alimentos, aprenda a identicá-los e construa seu paladar. O consumo precoce do açúcar impede de construir o paladar diversicado”, finaliza.

Fonte: Ministério da Saúde

Fonte: Jornal O Popular/Vida Urbana

 

 

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