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Ação prepara adolescentes para nova fase da vida

Rodas de conversa levam garotos e garotas a refletir sobre o futuro após serem obrigados a deixar instituições de abrigamento

Adolescente prestes a completar 18 anos e deixar abrigos: eles carregam sonhos como o ensino superior (Foto: Wildes Barbosa)

Numa ação inédita, o Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) deu início nesta quarta-feira ( 9), dentro da Semana da Criança, a rodas de conversas com adolescentes prestes a deixar abrigos de Goiânia. O objetivo dos círculos de construção da paz e restaurativos, como foi batizada a iniciativa, é ajudar os jovens em situação de abrigamento a refletir sobre o impacto deste momento em suas vidas, a melhor maneira de enfrentar os desafios do mundo exterior e, essencialmente, não serem envolvidos por cenários de violência.
Por lei, ao completar 18 anos, o adolescente deve deixar a instituição de acolhimento. “Sempre pensei que há uma lacuna quando se trata de um projeto pós abrigo”, afirma Maria Nilva Moreira, assistente social e coordenadora da Secretaria Interprofissional Forense da
Corregedoria Geral de Justiça, à frente da ação. Com o apoio das equipes da Justiça Restaurativa, da Coordenadoria da Infância e Juventude e Juizado da Infância e Juventude de Goiânia, ela desencadeou nesta quarta-feira os círculos nos abrigos Lar Mãe Zeferina, Talitha Kum e Casa de Amparo, todos na capital.
Maria Nilva explica que os círculos com os adolescentes prestes a deixar os abrigos estão ancorados na metodologia da Justiça Restaurativa delineada na Resolução 225/2016, do Conselho Nacional de Justiça. Pelo procedimento, as pessoas envolvidas em situação de
violência expressam seus sentimentos e pensamentos sobre suas vivências. Na ação com os adolescentes, psicólogos, assistentes sociais e psicopedagogos trabalham metas e planos para o futuro num esforço para que ao encarar o mundo do lado de fora não engrossem as estatísticas hostis.
O círculo restaurativo é uma espécie de dinâmica de grupo. Para que os adolescentes não se intimidem ao contar suas histórias e manifestar anseios e expectativas, um objeto harmonizador é colocado no centro do círculo. Nesta quarta-feira, no Lar Mãe Zeferina, um
ramalhete de flores atraia a atenção dos adolescentes, entre eles D. e M. (veja quadro), a poucos meses de completar 18 anos. Era neste ponto que eles fixavam o olhar ao falar de uma vida inteira de vulnerabilidade, na qual todos os vínculos afetivos familiares foram quebrados.
Atualmente, existem 27 adolescentes abrigados em Goiânia prestes a completar 18 anos. A reflexão sobre o futuro provocada pelos círculos restaurativos é fundamental para o direcionamento que vão dar às suas vidas ao deixar as instituições. Um dos grandes alicerces desta etapa é o Programa Anjo da Guarda, do Juizado da Infância e Juventude, que oferece suporte material, financeiro e afetividade a crianças e adolescentes abrigados, nas modalidades padrinhos prestador de serviço, afetivo e provedor.

D 17 anos quer fazer faculdade
“Minha mãe não tinha condições de cuidar de nós. Depois que meu padrasto deu uma facada nela eu e meus irmãos fomos separados, três ficaram com minha avó e três foram para abrigos. D. e um irmão de 15 estão no Lar Mãe Zeferina. Em janeiro, ele completa 18 anos. “Quero um emprego fixo para fazer faculdade e ajudar meus irmãos e minha mãe”. A mãe está em situação de rua e ele não conheceu o pai. “Não tenho medo do futuro, mas às vezes fico pensativo”.
D. conta que um casal de Araguari resgatou os três irmãos do abrigo, mas eles não conheceram um lar. “Eu vi meus irmãos apanhar muito, eles ficavam roxos, minha irmã foi obrigada a comer papel. Eu nunca vi a minha mãe bater na gente”. Com a separação do casal e os maus tratos confirmados, houve mais uma ruptura afetiva. A menina foi adotada por uma professora e ele e o irmão mais uma vez tiveram como destino uma instituição de acolhimento. “Eu sou profundamente grato por esse abrigo.”

M., 17 anos, uma vida de maus tratos
“Eu nasci em Coromandel (MG). Quando fiz 3 anos, minha mãe me trouxe para Edeia (GO), onde morava meu pai. Ela foi presa por tráfico e roubo. Durante sete anos fiquei numa fazenda, mas não suportei mais ser maltratado e fugi para a casa de uma tia. Depois, tudo
aconteceu novamente e acabei indo para um abrigo”. Sobre o futuro, M., que completa 18 anos em dezembro, sabe que não será fácil. “Nunca morei sozinho, vou ter de me sustentar”. O adolescente planeja estudar Educação Física. A mãe, ainda presa, é uma de
suas grandes preocupações. “Eu preciso ajudá-la”. Ele conta que quando deixou sua companhia vieram dois irmãos, um casal, que ele nunca viu. “Sei que foram adotados em Edeia”. A ausência de um lar durante toda a trajetória de vida de M. não fez dele uma pessoa revoltada. “Para quem não tinha nada, ser acolhido aqui fez toda diferença em minha vida”, disse sobre o Lar Mãe Zeferina . Agora, não desanima. “Não posso ficar parado, senão vou fracassar”.

E., 15 anos, sonha em ter casa própria
E. mora em abrigos desde os 10 anos. Há um ano veio para o Talitha Kum, em Goiânia, porque a mãe não tem condições financeiras de criar a prole. Para ela, o mais difícil é a separação dos irmãos, em especial o de 13 anos que sempre viveu com ela em Jussara (GO). “Sinto falta dele”. Mesmo ainda faltando três anos para atingir a maioridade, E. está participando do círculo restaurativo proposto pelo TJGO. “Acho bom para entender o que as outras pensam”, afirma, sobre as colegas de abrigo. E. sonha em chegar à universidade, talvez estudar Direito ou Engenharia Mecatrônica. “Muitas de nós temos em mente o estudo como base para conseguir uma vida melhor. “Meu sonho é conseguir minha casa para
cuidar da minha mãe e tirar meu irmão do abrigo”. A irmã mais velha de E., com 20 anos, faz faculdade na cidade de Goiás, um orgulho para ela. O caçula, de 7, vive com o pai. Ela e o irmão não foram aceitos pela madrasta.

Jornalista: Malu Longo. Fonte: Jornal O Popular

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